A recém-criada Federação União Progressista, fruto da união entre o União Brasil e o Progressistas (PP), conquistou 87 vagas na Câmara dos Deputados no pleito de 2026. O montante representa uma expressiva retração de 26,9% se comparado às 119 cadeiras obtidas de forma isolada pelas legendas em 2018, marcando um momento de reconfiguração para o grupo político logo na estreia da aliança nas urnas.
Impacto das urnas e desempenho das siglas
Essa baixa representa uma supressão de 32 representantes ao longo de exatos oito anos. No pleito de 2022, quando o União Brasil já operava unificado após a fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL), as duas siglas somaram 106 deputados. A diminuição foi de 10,9% na passagem de 2018 para 2022, e desabou mais 17,9% no pleito mais recente. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validou a federação partidária em março de 2026, unificando a atuação eleitoral e parlamentar de ambas as agremiações.
O principal peso da retração recai sobre o União Brasil. Somando os históricos de DEM e PSL de 2018, o partido despencou de 81 para 46 congressistas em 2026, amargando uma queda de 43,2%. Vale lembrar que o resultado de 2018 foi impulsionado pelo sucesso estrondoso do PSL, que na época elegeu 52 deputados e surfou na onda da vitória presidencial de Jair Bolsonaro. Em contrapartida, o PP seguiu um caminho oposto e registrou estabilidade: saltou de 38 eleitos em 2018 para 41 em 2026, um avanço de 7,9%, apesar de ter atingido o pico de 47 cadeiras em 2022.
Derrotas históricas e novas lideranças
A eleição de 4 de outubro também cobrou seu preço de figuras exponenciais do bloco político. No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP), líder nacional da sigla e ex-ministro da Casa Civil, falhou na tentativa de renovar seu mandato, ficando atrás de concorrentes locais. Em terras catarinenses, o veterano Esperidião Amin (PP), aos 78 anos, também não obteve êxito na disputa por uma vaga no Senado. Por outro lado, a aliança celebrou vitórias estratégicas: o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) garantiu uma cadeira de senador por Alagoas, enquanto Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, assegurou espaço como deputado federal representando o Rio de Janeiro.
Mudança de rumo na corrida presidencial
Durante a primeira etapa do pleito, o bloco manteve uma postura de neutralidade em relação à disputa pelo Palácio do Planalto, conferindo autonomia aos diretórios regionais e preservando laços com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, que abriga correligionários de ambas as legendas na Esplanada dos Ministérios. No entanto, o cenário virou após o primeiro turno. Em 6 de outubro, a cúpula da União Progressista endossou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), oficializando o apoio em encontro com o candidato logo no dia seguinte.
“Vamos trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro”, afirmou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que participou das articulações ao lado de Ciro Nogueira e Antonio Rueda.
Em paralelo, o Republicanos adotou estratégia similar sob a tutela de Marcos Pereira, embora a decisão tenha gerado divisões internas com figuras alinhadas ao governo petista, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e o ministro Silvio Costa Filho (PE). Somadas, as bancadas de União Brasil, PP e Republicanos alcançam 128 deputados federais, superando os 121 assentos do PL e fortalecendo o tabuleiro de negociações para a governabilidade no Congresso Nacional.

