A disputa nos bastidores do Poder Judiciário ganhou intensidade com o avanço de uma ofensiva coordenada contra o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Os ataques na Corte, os vazamentos envolvendo o processo do Banco Master e a operação policial contra um aliado próximo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região criam um cenário desfavorável que pode alterar decisivamente a corrida por uma vaga de desembargador na corte federal.
A disputa pela vaga no TRF-1
A vaga em aberto no TRF-1 surgiu após a aposentadoria do desembargador Novély Vilanova. Em fevereiro, o tribunal enviou ao Palácio do Planalto uma lista tríplice encabeçada por Fausto Mendanha, que obteve 31 votos. Itagiba Catta Preta ficou na segunda posição com 27 votos, seguido por Henrique Gouveia, que somou 24 apoios.
Embora os três nomes sigam formalmente no páreo, interlocutores do governo descartam Catta Preta devido ao seu histórico de ter suspendido a posse de Lula na Casa Civil em 2016. Com isso, o embate político se estreitou entre Mendanha e Gouveia, refletindo um confronto direto entre diferentes alas do STF pelo controle do tribunal mais estratégico do país.
Confronto de influências políticas
Nunes Marques tenta emplacar seu juiz auxiliar, Henrique Gouveia. Por outro lado, Flávio Dino e Gilmar Mendes atuam fortemente em favor de Fausto Mendanha. A articulação começou a ser desenhada pelo ex-deputado Elias Vaz, amigo de Dino, e posteriormente contou com a adesão de Mendes. Fontes governamentais avaliam que o atual desgaste do ministro do STF reduz as chances de seu afilhado e pesa na decisão final do presidente Lula.
O TRF-1 possui jurisdição sobre o Distrito Federal e mais 12 Estados, tornando-se o maior tribunal regional federal do Brasil. Pelo fato de estar situado em Brasília, a corte julga processos de imenso peso político e econômico envolvendo órgãos federais e a administração pública central. Historicamente, Nunes Marques mantém forte influência no tribunal onde construiu carreira, tendo emplacado anteriormente nomes como João Carlos Mayer e Carlos Brandão, além do desembargador Newton Ramos.
O impacto do caso Master e a ofensiva recente
A pressão sobre Nunes Marques ganhou novos contornos com informações extraídas dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os dados citam Kevin Marques, filho do ministro, que teria recebido cerca de R$ 300 mil entre agosto de 2024 e julho de 2025 de uma consultoria financiada pelo banco. Kevin negou publicamente ter prestado serviços ou recebido valores do empresário.
O cerco também atingiu diretamente o desembargador Newton Ramos, aliado de Nunes Marques no TRF-1. A Polícia Federal auxiliou o Conselho Nacional de Justiça em uma operação no gabinete de Ramos, cumprindo determinação do corregedor Benedito Gonçalves. A investigação analisa decisões tomadas pelo magistrado e um contrato milionário de honorários firmado por familiares dele com o Banco Master.
A movimentação atual coloca o presidente Lula diante de um impasse político. Escolher o candidato de Nunes Marques significaria manter a influência do ministro apesar da crise atual, enquanto optar pelo nome apoiado por Dino e Mendes representaria uma vitória da ala opositora na tentativa de limitar o poder do magistrado no Judiciário.
















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