A coligação que lidera a disputa pela reeleição do presidente Lula (PT) protocolou nesta sexta-feira (23) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mirando o senador Flávio Bolsonaro (PL). O documento aponta que verbas direcionadas originalmente à produção cinematográfica “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teriam sido desviadas para impulsionar a campanha do parlamentar, caracterizando caixa dois e repasse de dinheiro estrangeiro. Os advogados petistas exigem a cassação do registro e a inelegibilidade do político, que refuta as imputações.
Base legal da denúncia ao tribunal O alicerce da representação jurídica consiste em dados de delações premiadas e investigações conduzidas pela Polícia Federal, que mapearam sete remessas internacionais totalizando US$ 12,3 milhões — o equivalente a aproximadamente R$ 69 milhões na cotação atual. O montante teria saído dos cofres da empresa “Entre Investimentos e Participações” com destino ao “Havengate Development Fund”, veículo financeiro localizado em território norte-americano sob o pretexto de bancar o projeto audiovisual.
Conexões financeiras e movimentações Documentos indicam que a gestão da “Entre” no período das transações estava sob a responsabilidade de Antonio Carlos Freixo Jr., apontado pelas autoridades como o braço financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por práticas fraudulentas. Em paralelo, a administração do fundo estrangeiro cabe ao advogado migratório Paulo Calixto, profissional que igualmente atende aos interesses do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e atualmente residente nos Estados Unidos.
Impacto na disputa e crimes apontados No entendimento da coligação autora da representação, o montante de R$ 69 milhões desequilibra a disputa ao violar flagrantemente a “paridade de armas” entre os concorrentes, visto que representa mais da metade do teto de gastos estipulado para a corrida presidencial, fixado em R$ 133,4 milhões. A petição enumera potenciais delitos como doação corporativa vedada, recebimento de verbas estrangeiras, contabilidade paralela e conexões entre a companhia financiadora e organizações criminosas.
Diligências e investigações em curso Para fundamentar as acusações, a legenda governista requer a incorporação de elementos probatórios recolhidos pela PF e pelo Ministério Público, além da decretação da quebra dos sigilos fiscais e bancários da empresa “Entre”, de seu ex-gestor Antonio Freixo Jr. e da produtora responsável pela película, a Go Up Entertainment. O pacote de pedidos inclui ainda auditorias técnicas, rastreio das divisas enviadas ao exterior, relatórios de inteligência e o encaminhamento do caso para instâncias criminais. O longa-metragem já é escopo de apuração policial para determinar se os valores repassados por Vorcaro efetivamente chegaram a ser aplicados na película.

