Relatório do Coaf aponta repasse do Banco Master a autoridade

Relatório do Coaf liga repasse do Banco Master a autoridade com foro

Um recente relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornou-se peça-chave em investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento aponta a transferência de R$ 1 milhão oriunda de uma empresa associada ao Banco Master para uma produtora de eventos ligada a uma autoridade que detém foro privilegiado.

Repasses milionários e conexões

As transações foram direcionadas à empresa DuBem Business, pertencente ao empresário Netinho Lins, entre os meses de julho e setembro de 2024. A quantia foi repassada pela Super Empreendimentos, que tinha como diretor Fabiano Zettel, parente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A produtora também obteve outro aporte de igual valor da Entre Investimentos, outra firma de Vorcaro que participou do financiamento de uma produção cinematográfica.

Bloqueio de aeronave e investigações da PF

Em 2023, Netinho Lins adquiriu um avião que pertencia ao senador Ciro Nogueira pelo valor de R$ 10 milhões. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cumprindo ordem do ministro André Mendonça no contexto das apurações sobre o Banco Master, acabou bloqueando o bem. A Polícia Federal investiga a hipótese de que o parlamentar tenha obtido vantagens indevidas de Vorcaro para beneficiar a instituição financeira no Congresso Nacional.

Por sua vez, os representantes da produtora DuBem justificaram que o montante recebido seria utilizado na organização de um festival musical que acabou sendo cancelado. O empresário responsável mantém laços de proximidade com figuras de destaque no Poder Legislativo, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o deputado Arthur Lira.

Investigação avança no Supremo

Ainda no mês de março, a corporação policial solicitou ao relator André Mendonça o acesso completo aos dados reunidos pelo Coaf. O objetivo central é identificar formalmente a autoridade detentora de foro que aparece nas movimentações financeiras. O magistrado responsável ainda não emitiu resposta ao pedido formalizado pelos investigadores.

Os registros financeiros apontam que a Super Empreendimentos movimentou R$ 19,6 milhões de maneira atípica durante o período analisado, além de ter recebido um aporte bilionário de R$ 2,5 bilhões proveniente de um fundo administrado pela Reag.