O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “fantasiosos” os supostos diálogos mantidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita em uma manifestação oficial de 44 páginas encaminhada à Presidência da Corte, apesar de a Polícia Federal (PF) ter apontado elementos que sustentam a suspeita sobre as conversas.
Críticas duras à condução do caso
No documento, protocolado a menos de 12 horas de uma sessão crucial do STF para debater a abertura de investigação, Moraes apontou irregularidades na atuação do ministro André Mendonça. O magistrado utilizou o termo “ilegal” 26 vezes para qualificar os procedimentos conduzidos por Mendonça no âmbito do caso Banco Master.
O ministro argumenta que nunca atuou em processos que envolvessem a instituição financeira ou o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Para ele, não há qualquer indício de infração penal ou conduta inadequada de sua parte.
Contestação das provas digitais
O ponto central da defesa de Moraes recai sobre os registros encontrados no celular de Vorcaro. O magistrado alega que os dados atribuídos a seu nome carecem de perícia técnica adequada para confirmar a origem e o envio real do conteúdo.
O ministro sustentou que a análise dos metadados e a correlação temporal configuram uma interpretação puramente subjetiva. Segundo sua avaliação, hipóteses alternativas foram ignoradas, como a possibilidade de o texto nunca ter sido enviado, ter sido apagado antes da leitura ou sequer aberto pelo destinatário.
Acusações de motivação política e revanchismo
Além de questionar os registros, Moraes acusou André Mendonça de agir com motivação político-eleitoral e de integrar uma tentativa de vingança por parte de aliados investigados por atos golpistas. Na visão do ministro, a apuração faz parte de uma mudança no modus operandi de investidas contra a democracia.
O magistrado ainda afirmou que pretende indicar testemunhas para comprovar que Mendonça teria solicitado medidas à PF contra ele de forma irregular, buscando incluí-lo, ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em acordos de delação premiada sem respaldo probatório. Por fim, defendeu a eficácia da Operação Compliance Zero e reiterou que as acusações representam apenas uma narrativa infundada contra sua trajetória na Corte.
















Leave a Reply