BRB afasta funcionários por escândalo com Banco Master

BRB afasta 5 funcionários por suspeitas ligadas ao Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) determinou o afastamento cautelar de cinco funcionários concursados, incluindo dois ex-diretores e três ex-superintendentes, sob suspeita de irregularidades em operações financeiras realizadas com o Banco Master.

Investigação interna e processos administrativos

Embora esses profissionais já tivessem deixado os postos de comando no final do ano passado, eles seguiam na instituição devido aos seus cargos efetivos. A decisão de afastamento ocorreu após a instauração de processos administrativos disciplinares (PADs), aval chancelado pelo Conselho de Administração da instituição financeira há cerca de três semanas.

A corregedoria do BRB solicitou as medidas de caráter preventivo no contexto das apurações internas sobre as transações ligadas ao Banco Master. A diretoria do banco público destacou que a decisão tem natureza cautelar, o que significa que não configura um julgamento antecipado sobre o mérito das apurações em curso.

Operações bilionárias e créditos questionados

As investigações apontam que o BRB adquiriu aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito vinculadas à instituição de Daniel Vorcaro. Desse total, cerca de R$ 12 bilhões em ativos revelam problemas documentais, falhas estruturais e indícios de falta de lastro.

Apesar da troca dessas carteiras por outros ativos oferecidos pelo Banco Master, o Banco Central mantém dúvidas a respeito do valor real dessas garantias. Como consequência, a cúpula da instituição brasiliense tenta encontrar alternativas para recompor seu patrimônio e absorver o prejuízo bilionário.

Conexões políticas, prisões e impactos na bolsa

As negociações sob escrutínio aconteceram sob a liderança de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco que atualmente se encontra detido. A polícia suspeita que ele tenha recebido seis imóveis de luxo de Vorcaro — quatro na capital paulista e dois no Distrito Federal —, estimados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido quitados. A defesa do ex-executivo nega qualquer conduta ilícita.

Devido à crise deflagrada pelas revelações, a instituição financeira ainda não divulgou seus balanços contábeis relativos ao ano de 2025 nem ao primeiro semestre deste exercício, o que tem gerado multas diárias aplicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para tentar estancar o rombo financeiro, o governo do Distrito Federal, acionista majoritário do banco, aguarda a liberação de um crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de buscar suporte jurídico no Supremo Tribunal Federal (STF) para concretizar a operação de salvamento.