Quatro policiais militares estão sob investigação formal após serem acusados de obrigar suspeitos de tráfico de drogas a vestirem camisetas alusivas à campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio ocorreu em Piracicaba, no interior paulista, e veio à tona após a divulgação de gravações que mostram a entrada dos detidos na delegacia.
Registro da ocorrência e crimes apontados
O boletim de ocorrência foi formalizado por volta das 23h de uma quinta-feira (22) por representantes do Partido dos Trabalhadores. A denúncia aponta a ocorrência de crimes como ameaça, constrangimento ilegal e abuso de autoridade, este último tanto por submeter presos a constrangimento com grave ameaça quanto por ingressar em imóveis sem autorização dos ocupantes.
Conforme explicou o delegado Alex Adami, da Polícia Civil, a investigação será conduzida pela Corregedoria da corporação militar, visto que os suspeitos são integrantes da ativa e a conduta teria acontecido durante o exercício de suas funções profissionais.
Repercussão política e pedidos de afastamento
Familiares, moradores locais e ativistas afirmam que os indivíduos detidos não utilizavam as peças de vestuário no instante da abordagem inicial, acusando os agentes de armarem a situação. A Polícia Militar informou que um procedimento interno já foi aberto para apurar os fatos.
Diante da gravidade da situação, o Partido dos Trabalhadores acionou a Procuradoria-Geral da República para requerer a abertura de inquérito. Paralelamente, a Ouvidoria das Polícias solicitou o afastamento imediato dos agentes envolvidos, enquanto o Ministério da Justiça cobrou explicações oficiais das autoridades de segurança do estado de São Paulo.
Precedente histórico em 1989
O episódio atual traz semelhanças com o sequestro do empresário Abilio dos Santos Diniz, então vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar, ocorrido em 11 de dezembro de 1989. O crime aconteceu pouco antes do segundo turno da eleição presidencial entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.
Na ocasião, após a prisão dos primeiros envolvidos, policiais afirmaram ter localizado material de campanha petista, manuais de guerrilha e anotações com contatos do partido, gerando suspeitas de tentativa de vincular a legenda ao crime. Dirigentes do partido e autoridades federais negaram qualquer envolvimento, e os policiais foram acusados de forjar as evidências.

