Enquanto a disciplina e a objetividade impulsionam o crescimento profissional, essas mesmas competências costumam falhar quando aplicadas à vida a dois. De acordo com a cientista e especialista em comportamento humano Mari Vabo, homens focados em resultados frequentemente encontram barreiras ao lidar com a conexão emocional, exigindo uma abordagem completamente diferente da corporativa.
O erro de buscar soluções imediatas
Um hábito frequente é a tentativa de consertar rapidamente qualquer queixa da parceira, ignorando que o momento muitas vezes pede apenas escuta e acolhimento. Essa divergência gera desgaste, pois o parceiro acha que está resolvendo o problema, enquanto a mulher se sente ignorada em suas necessidades emocionais.
“Essas são características muito úteis no mundo dos negócios, que ajudam esses homens a alcançar resultados. Mas as mesmas habilidades podem acabar criando afastamento emocional com as mulheres. Diante de um conflito, de uma reclamação ou de um desabafo, o homem tende a oferecer uma solução objetiva, sem perceber que existe uma necessidade emocional junto”, explica Mari.
Falta de presença e a necessidade de controle
Mesmo em ocasiões de lazer, como jantares ou viagens, a atenção dividida pelas demandas do escritório impede a verdadeira proximidade. A intimidade exige disponibilidade genuína, e não apenas o compartilhamento físico do mesmo ambiente.
Além disso, o hábito corporativo de liderar e comandar pode se infiltrar no lar, transformando desentendimentos em competições por quem tem razão.
“Para ser um líder em uma relação e transmitir segurança, não basta dar as cartas. É necessário considerar as necessidades e preferências da mulher para que ela se sinta valorizada e consiga confiar nesse homem. Os dois precisam sair da lógica de quem está certo e de quem está errado e entender que estão trabalhando pelo mesmo objetivo: fazer o relacionamento dar certo e crescer juntos”, afirma.
Como desenvolver a escuta ativa
Superar esse obstáculo não significa deixar de lado as habilidades que trouxeram sucesso profissional, mas sim complementá-las com empatia, diálogo e flexibilidade. Em vez de entregar respostas prontas, o ideal é investigar a raiz do desconforto por meio de conversas abertas.
Em última análise, o amor não pode ser administrado como uma meta de desempenho. Construir um relacionamento duradouro exige vulnerabilidade, acolhimento e a renúncia à necessidade constante de provar competência.

