O Corinthians passou a enfrentar forte pressão nos bastidores após ser alvo de ultimatos formais emitidos por credores, pelo Ministério Público de São Paulo e pela administradora judicial que fiscaliza o Regime Centralizado de Execuções (RCE). A cobrança ocorre porque a diretoria alvinegra deixou de quitar os R$ 10 milhões obrigatórios pelo cronograma de acordos e é acusada de omitir documentos e demonstrativos financeiros essenciais.
Como funciona o Regime Centralizado de Execuções Criado para organizar as finanças de equipes endividadas, o mecanismo garante ao clube paulista uma blindagem contra penhoras e bloqueios de receitas em ações individuais. Essa proteção evita que o fluxo de caixa diário seja paralisado por ordens de pagamento intempestivas enquanto o acordo global estiver em vigor.
Cobranças e ausência de documentos da Laspro A Laspro, empresa que atua como administradora judicial, apontou que o portal corinthiano exibe informações de pagamentos apenas até o mês de junho. Os responsáveis destacaram que os pedidos mais recentes enviados à diretoria foram ignorados. Entre os itens ausentes na prestação de contas estão balancetes com assinaturas, o relatório gerencial de setembro, além de extratos bancários e comprovantes referentes aos valores quitados em agosto.
Exigências do Ministério Público paulista O Ministério Público de São Paulo classificou a conduta da instituição como “opacidade contábil” e alertou para o risco de “degeneração” do instrumento de execução. O órgão determinou um prazo máximo de 15 dias para que os R$ 10 milhões em atraso sejam repassados. Caso a exigência seja ignorada, o plano corre o risco de ser cancelado, o que abriria caminho para o retorno imediato de bloqueios judiciais e penhoras nas contas corinthianas.
Dúvidas sobre aportes e repasses a credores Além do montante em aberto, o Ministério Público, a administradora e os credores cobraram explicações sobre um aporte de R$ 26 milhões repassado à Caixa Econômica Federal em junho. A quantia foi veiculada publicamente, mas não teve a comprovação devida nos registros do clube, o que acabou reduzindo o saldo disponível para os demais credores. Outro ponto de atrito envolve os repasses direcionados ao fundo de investimentos criado para liquidar a dívida com o Talleres pela contratação do jogador Garro.
Em nota oficial divulgada para rebater as cobranças, a diretoria se manifestou sobre o cenário financeiro atual: “(O Corinthians) acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas”.

