A historiadora e ocupante da cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras (ABL), Lilia Moritz Schwarcz, utilizou suas redes sociais para divulgar um alerta aos cidadãos sobre o sistema de pagamentos instantâneos. Em publicação feita no Instagram, a acadêmica ironizou a situação e incentivou seguidores a esvaziarem suas contas sob a premissa de que a ferramenta estaria com os dias contados, relacionando o suposto fim do serviço a uma eventual vitória de Flávio nas urnas.
Entenda o funcionamento do sistema financeiro O mecanismo de transferência em questão não está atrelado a nenhuma gestão presidencial específica e tampouco pode ser extinto por simples decreto do chefe do Executivo. A infraestrutura é gerida integralmente pelo Banco Central, órgão que mantém autonomia legal desde 2021. Além disso, a tecnologia foi lançada em novembro de 2020 durante a administração de Jair Bolsonaro, pai do político mencionado no vídeo. Vale destacar que a própria campanha do candidato em questão já manifestou apoio à gratuidade da ferramenta, enquanto tentativas de tributação partiram recentemente do atual governo, que precisou recuar após forte pressão popular.
A estratégia da desinformação na política A manifestação pública carece de respaldo factual, configurando o que comumente se define como disseminação de boatos com objetivos eleitorais. Não se trata de um caso isolado na trajetória da professora, conhecida por seu alinhamento político. Em episódios passados, como na crítica direcionada a um álbum visual da cantora Beyoncé em 2020, a intelectual já havia demonstrado dificuldade em sustentar análises diante de pressões de movimentos identitários, ocasião em que optou por se retratar publicamente após ser acusada de não possuir o chamado “lugar de fala”.
O conceito de falsa consciência Para compreender esse tipo de comportamento intelectual, teóricos como o filósofo francês Joseph Gabel apontam o conceito de falsa consciência. Diferente da ignorância comum, onde o indivíduo corrige sua postura ao tomar conhecimento dos fatos, a falsa consciência manipula a realidade para que ela se encaixe em preconceitos pré-estabelecidos. Nesse cenário, figuras públicas e fatos históricos perdem sua complexidade e são reduzidos a rótulos rígidos, onde o argumento perde espaço para a narrativa ideológica.
A repetição do padrão na política atual O material audiovisual divulgado sobre o meio de pagamento segue exatamente essa mesma lógica estrutural. O opositor político é colocado em um papel estigmatizado ao qual se pode imputar qualquer narrativa, ignorando completamente dados objetivos, cronologias e a própria autonomia das instituições financeiras. A ideologia prevalece sobre a verdade dos fatos, transformando a análise acadêmica em mero palanque partidário.
Reflexão sobre o papel das instituições Diante desse cenário, questiona-se o papel de instituições tradicionais como a ABL, fundada para preservar o patrimônio literário e cultural do país sob o lema da imortalidade. O uso do prestígio acadêmico para legitimar boatos de internet enfraquece o debate público. Afinal, o objetivo de uma instituição secular deveria ser a defesa da verdade e da erudição, e não a chancela à desinformação motivada por conveniências político-eleitorais.
















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