O avanço das intenções de voto que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) em vantagem na disputa pelo Palácio do Planalto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou as articulações políticas nos bastidores. Com a possibilidade real de vitória no segundo turno, interlocutores da campanha já discutem os principais perfis para capitanear a pasta da Fazenda — que deve ser rebatizada novamente como Ministério da Economia.
Protagonismo técnico e proximidade com o plano de governo
Entre os quadros que despontam com maior força interna está Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e uma das formuladoras das diretrizes econômicas da campanha. Antiga colaboradora de Paulo Guedes, ela se desligou de suas atividades na iniciativa privada no meio do ano para atuar no projeto eleitoral, embora ressalte publicamente que sua dedicação está estritamente focada no debate de propostas e não em negociações por cargos.
Outra figura de peso frequentemente citada no setor financeiro é a do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Atualmente exercendo a função de chefe global de Políticas Públicas e vice-chairman no Nubank, o economista mantém laços consolidados com lideranças da direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador paulista Tarcísio de Freitas. Contudo, pessoas próximas indicam que seu foco permanece voltado à sua carreira na instituição financeira privada.
Apoios estratégicos e divergências internas
O economista Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital e com histórico de liderança no Credit Suisse, reúne forte aprovação de agentes de mercado e conta com a simpatia do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A ala ligada a Eduardo, hoje nos Estados Unidos, busca exercer peso nessa decisão estratégica. No entanto, a indicação de Kayath enfrenta resistência entre apoiadores mais tradicionais da família, que lembram declarações críticas dele à antiga gestão econômica e seu apoio a Lula no pleito de 2022.
Já o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida surge como uma alternativa de confiança irrestrita do grupo político. Também egresso da equipe de Paulo Guedes — tendo atuado como secretário de Política Econômica —, Sachsida possui trânsito livre com o clã Bolsonaro e com investidores. Caso não seja alçado ao comando da Economia, é avaliado como nome quase certo para chefiar áreas estratégicas como o Planejamento ou a Infraestrutura.
Opções que correm por fora na corrida ministerial
Além dos favoritos, o leque de alternativas inclui executivos e parlamentares influentes que podem ser acionados para compor o núcleo financeiro de uma futura gestão:
Circulam nas conversas de bastidor nomes como o de Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual; o executivo Alexandre Bettamio, do Bank of America; e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que já comandou o Ministério do Desenvolvimento Regional. A definição do ministro da Economia é tratada como a sinalização mais aguardada pelos mercados para antecipar o rumo fiscal e as reformas de uma eventual administração liderada por Flávio Bolsonaro.
















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