Globo planeja novo veículo conservador distante do bolsonarismo

Globo quer criar veículo de direita fora do bolsonarismo

O Grupo Globo avalia a criação de um inédito canal de comunicação focado no público conservador e na direita liberal do país, com planos que podem incluir o lançamento de uma revista ou de um jornal digital.

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Para tirar a ideia do papel, executivos do conglomerado midiático já mantiveram contatos com antigos publishers que possuem ampla trajetória em mídias de perfil direitista no território nacional. O direcionamento estratégico, no entanto, exige o total afastamento de qualquer associação com o bolsonarismo.

Até o momento, a diretoria estuda se o novo produto jornalístico ganhará uma marca independente ou se passará a integrar o guarda-chuva de alguma empresa já existente do grupo. Detalhes operacionais, como o tamanho da equipe, o formato e o cronograma de estreia, seguem sob sigilo.

Crescimento da direita na política

A iniciativa surge em um cenário de forte expansão da direita na política brasileira. Nas últimas disputas eleitorais, o campo conservador fortaleceu sua base no Legislativo, com destaque para o Partido Liberal (PL), que garantiu 19 novas vagas e somará 28 cadeiras no Senado a partir de 2027, formando a maior bancada da Casa, além das três conquistas do partido Novo. No âmbito executivo, Flávio Bolsonaro liderou a preferência em relação a Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da corrida presidencial.

Mudanças estruturais e pesquisa de opinião

Essa movimentação mercadológica acompanha uma série de reestruturações internas na GloboNews. O canal promoveu cortes em seu quadro de jornalistas e comentaristas, incluindo nomes como Daniela Lima, Mauro Paulino e Eliane Cantanhêde, processo que a direção classificou como uma renovação natural de equipe.

As alterações foram precedidas por uma pesquisa encomendada à Quaest para avaliar a imagem da emissora perante a audiência. O estudo apontou que parcela significativa do público enxergava a programação com viés esquerdista, aproximando-a de legendas como o PT e o Psol, além de registrar ressalvas sobre a postura de alguns âncoras e a carência de contrapontos ideológicos.

Aposta na pluralidade e novos rumos

Como resposta ao diagnóstico, a emissora passou a enfatizar publicamente o valor da pluralidade, preparando novos formatos de debates e análises para celebrar suas três décadas no ar.

Contudo, enquanto a grade jornalística tradicional busca equilibrar diferentes correntes de pensamento, a possível criação de uma marca voltada exclusivamente à direita liberal representa uma estratégia inédita e direta para dialogar com o eleitorado conservador fora do ecossistema tradicional da empresa.