Os chefes da diplomacia de Moscou e Berlim mantiveram um encontro inédito neste sábado nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, marcando o primeiro contato direto de alto nível entre os dois governos desde o início do conflito na Ucrânia em 2022.
Temas centrais do encontro bilateral
O ministro russo Sergei Lavrov e o representante alemão Johann Wadephul colocaram na mesa de discussões o panorama das relações diplomáticas bilaterais e os desdobramentos da guerra no território ucraniano, conforme detalhado pela chancelaria da Rússia.
Durante a reunião, a delegação alemã pressionou por avanços na segurança alimentar global.
Crise dos grãos no Mar Negro
O lado alemão exigiu que Moscou adote todas as medidas necessárias para viabilizar um pacto voltado às exportações de cereais através do Mar Negro.
As rotas de escoamento de grãos russos e ucranianos sofreram forte retração recentemente devido a ofensivas militares mútuas contra portos e navios comerciais. O bloco ucraniano e seus parceiros internacionais tentam negociar uma trégua restrita na região marítima, além de um cessar-fogo focado em proteger redes de energia. Até o momento, o governo russo não sinalizou apoio formal a tais propostas.
Wadephul destacou perante Lavrov que o fator temporal é determinante devido à crise de alimentos que afeta o Sul Global, exigindo engajamento construtivo de todos os envolvidos para alcançar soluções pragmáticas.
Tensão política e ataques híbridos
Os laços diplomáticos entre Berlim e Moscou encontram-se congelados desde a invasão da Ucrânia. O cenário agravou-se em agosto após um incidente envolvendo drones no Aeroporto de Leipzig/Halle, na Alemanha.
Investigações do governo alemão apontaram a Rússia como mentora da tentativa de ataque, motivando sanções como o fechamento de um consulado e de um centro cultural russo em território alemão. A embaixada russa em Berlim negou veementemente as acusações, classificando-as como uma provocação inventada e manifestação de russofobia.
Por fim, a diplomacia alemã instou o governo russo a abandonar sua postura de escalada contra a Europa, a Alemanha e a Otan, reiterando que investidas híbridas não diminuirão o respaldo de Berlim à Ucrânia.




















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