O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, garantiu nesta quinta-feira, 24, que a instituição financeira não tomará decisões passionais frente aos recentes índices de desaceleração da economia brasileira. A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária.
Cenário de juros e cautela
Atualmente, a taxa Selic está fixada em 13,75%, patamar definido após o corte de 0,25 ponto percentual realizado pelo Comitê de Política Monetária na semana passada, sem indicações explícitas sobre os próximos movimentos da autarquia.
Galípolo destacou que a instituição tem acumulado confiança quanto à trajetória de desaceleração econômica apontada pelos indicadores recentes, reforçando que a postura técnica evita reações exageradas capazes de provocar volatilidade nos mercados.
Fatores de incerteza global e interna
A necessidade de prudência foi atribuída ao elevado grau de instabilidade no horizonte econômico, com destaque para os reflexos da continuidade do conflito no Oriente Médio sobre as cotações internacionais do petróleo e dos derivados.
Ademais, levantamentos pré-reunião do Copom demonstraram um duplo desafio: sinais nítidos de arrefecimento na atividade produtiva aliados a temores sobre choques de oferta. Simulações da autarquia indicam ainda que o fenômeno El Niño poderá impactar negativamente a produtividade das lavouras nacionais de arroz e milho.
Diante desse contexto adverso, o chefe da autoridade monetária defendeu uma postura de sobriedade na análise estatística, ressaltando a importância de evitar falsas precisões e tratar os dados com parcimônia.
Nova projeção para o PIB
Como reflexo desse cenário, o Banco Central reduziu a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto para este ano, passando de 2,0% para 1,8%, enquanto a perspectiva inicial para 2027 foi fixada em 1,4%.
O ajuste decorre de uma configuração menos robusta no PIB do segundo trimestre — que registrou alta de 0,5% —, impulsionada por uma contribuição reduzida do consumo das famílias e de segmentos econômicos sensíveis ao ciclo.
Perspectivas para os próximos trimestres
A expectativa da instituição é de que essa perda de ritmo persista ao longo do terceiro trimestre, integrando um processo mais amplo de desaceleração iniciado no final de 2024 em virtude da política de aperto monetário.
Apesar da desaceleração em curso, o diretor de Política Econômica da instituição, Paulo Picchetti, pontuou que o horizonte para 2027 não contempla cenários de recessão acentuada.
















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