A desclassificação do Flamengo na semifinal da Copa Libertadores para o Estudiantes não surpreende pelo peso do clube argentino, mas sim pela maneira desastrosa como o roteiro se desenhou ao longo dos dois confrontos. O rubro-negro desperdiçou a oportunidade de avançar mesmo atuando com um atleta a mais em boa parte da etapa complementar, após a expulsão de Rodriguez, punido justamente devido ao estilo de jogo físico imposto pelos sul-americanos.
Domínio territorial sem criatividade
Embora tenha mantido a posse de bola sob seu controle territorial, a equipe comandada por Leonardo Jardim demonstrou total incapacidade de gerenciar a partida. Faltou repertório ofensivo para furar a linha defensiva com cinco jogadores montada pelos argentinos. Enquanto Carrascal sofria para vencer seus duelos e o setor de meio-campo perdia a dinâmica habitual de aproximação, o atacante Pedro tentava se desvencilhar da marcação sozinho.
Mudanças e perda de intensidade
O cenário se agravou quando o treinador optou por transferir o peso da decisão para Arrascaeta, acionando um atleta completamente desprovido de ritmo de jogo. A saída de Carrascal — que, mesmo em dia apagado, vinha sendo o elemento mais produtivo recentemente — reduziu drasticamente o fôlego rubro-negro, fazendo com que o time diminuísse a intensidade da pressão exercida sobre o adversário.
Apesar da queda de rendimento, o clube carioca ainda criou uma chance clara de gol quando Paquetá serviu Plata com precisão, mas o jogador cabeceou fraco, desperdiçando a oportunidade na cara do gol.
A derrocada se confirmou nas cobranças da marca da cal, momento em que o Flamengo facilitou o trabalho do goleiro Muslera. O uruguaio, que já havia sido alvo de chacota durante a Copa do Mundo devido às suas excentricidades e à dança antes dos chutes, acabou defendendo três penalidades cobradas pelos brasileiros, selando a vexatória eliminação na competição continental.

