Candidatos do PT e outros partidos retiram apoio à carta da Matria

Candidatos do PT retiram assinatura de carta em defesa das mulheres

Pelo menos dez candidatos que haviam declarado apoio à Carta-Compromisso com as Mulheres e Crianças Brasileiras decidiram retirar seus nomes do documento elaborado pela Associação Matria para o pleito de 2026. A iniciativa tem como base central a salvaguarda da segurança, dos direitos e da dignidade do público feminino e infantil com proteção estritamente fundamentada no sexo biológico.

Recuos no PT e justificativas dos políticos

Entre os nomes que vieram a público para confirmar o recuo estão figuras filiadas ao PT. Ana Júlia Ribeiro, que concorre a uma vaga de deputada federal pelo Paraná, e o professor Jocelino Júnior, candidato a deputado estadual pelo Espírito Santo, afirmaram publicamente que não endossavam o teor do manifesto.

Enquanto a candidata petista justificou o ocorrido como uma falha cometida por sua equipe de assessoria, o candidato capixaba classificou a adesão inicial como um erro inaceitável e garantiu que jamais autorizou o uso de seu nome. Esther Moraes, representante do PV em São Paulo, também endossou o coro dos desistentes, argumentando que a pauta divergia de suas diretrizes partidárias e carecia de uma avaliação mais profunda.

O posicionamento da associação organizadora

Apesar dos pedidos formais de exclusão, a associação optou por manter os nomes no histórico público dos materiais de divulgação. De acordo com a diretoria da entidade, a inclusão inicial reflete a concordância com as diretrizes propostas, enquanto os pedidos de desfiliação da carta ocorreram motivados por forte pressão nos bastidores da política.

Lançada em agosto, a plataforma cívica engloba oito pontos principais que visam a balizar compromissos de campanha. Entre os tópicos de destaque estão a preservação de ambientes exclusivos para mulheres — como unidades prisionais, banheiros e alojamentos —, a garantia de equidade e segurança em categorias esportivas femininas, além de diretrizes para o acompanhamento multidisciplinar de menores com questões ligadas à identidade.

Pressão partidária e panorama atual

A onda de desistências ganhou força após manifestações de setores progressistas contra o teor do manifesto. No final de setembro, a própria associação divulgou um comunicado rebatendo pressões exercidas por direções partidárias de esquerda para punir signatários e forçar retiradas em massa, reforçando que a discussão sobre os direitos femininos não deveria se restringir à polarização político-ideológica.

Apesar das baixas registradas, o levantamento oficial da entidade ainda contabiliza centenas de apoiadores espalhados por cerca de 20 legendas diferentes. O PCO lidera a quantidade de adesões, seguido por siglas como Novo, PL, PT e outras representações do cenário nacional, mantendo o painel de signatários em atualização constante para consulta pública.