Entidades criticam decisões que cancelaram debate da Globo

Entidades de imprensa criticam decisões judiciais que cancelaram debate da Globo

As principais associações de imprensa do Brasil manifestaram forte repúdio, nesta quinta-feira, dia 1º, às sentenças judiciais que culminaram no cancelamento do tradicional debate presidencial da TV Globo.

Nota conjunta repudia interferência na Justiça

Por meio de um comunicado unificado, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) expressaram profunda revolta com as modificações impostas às diretrizes que haviam sido estabelecidas com antecedência entre o canal de televisão e as legendas partidárias.

O imbróglio começou após determinações da ministra Estela Aranha, integrante do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A magistrada vetou a utilização de um pódio vazio com a identificação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ausente do evento, e também proibiu que os demais concorrentes presentes direcionassem questionamentos ao petista.

Mudanças em cima da hora no evento

Logo em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu ordem para garantir a presença de Renan Santos (Missão) no confronto entre os postulantes ao cargo máximo do Executivo.

Para as organizações jornalísticas, tais medidas da Justiça modificaram de maneira drástica os critérios firmados consensualmente para o encontro. O episódio foi qualificado pelo bloco de entidades como uma clara agressão à liberdade de imprensa.

As instituições apontam que a intromissão não se limitou a impor obrigações sem respaldo legal a uma companhia de comunicação privada, mas representou uma intromissão direta na dinâmica jornalística do evento. O texto ressalta que houve desrespeito frontal aos acordos firmados há meses entre a rede de TV e os partidos políticos.

Prejuízo ao direito dos eleitores

Além da questão institucional, o manifesto aponta que o imbróglio jurídico causou prejuízos diretos à sociedade, ferindo a prerrogativa do eleitorado em acessar as plataformas de governo dos candidatos que cumpriram os trâmites legais e confirmaram presença.

Conforme apontado no documento divulgado na noite de quinta-feira, os excessos cometidos pela Justiça acabaram por atropelar o direito democrático à informação, silenciando propostas daqueles que estavam dispostos a debater. A repercussão do caso segue mobilizando o setor de comunicação em todo o território nacional.