Vereador aciona PGR contra Lula por fala sobre mulheres

Vereador do Novo aciona PGR contra Lula por fala sobre ‘toque’ nas mulheres

O vereador Guilherme Kilter, representante do partido Novo em Curitiba, protocolou nesta terça-feira, 29, uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devido a declarações proferidas sobre mulheres.

Contexto da declaração em Belém

A polêmica surgiu durante um comício de campanha realizado na capital paraense na segunda-feira, 28. Na ocasião, ao discursar sobre a importância dos exames preventivos masculinos e citar um procedimento robótico de próstata realizado no estado, o chefe do Executivo afirmou que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.

Em seu discurso, o mandatário pontuou que o público masculino costuma rejeitar exames como o de próstata por resistência ao toque, contrastando essa postura com a vivência feminina desde a infância.

Fundamentos da denúncia jurídica

No documento enviado à PGR, o parlamentar argumenta que a frase proferida pelo presidente não reflete nenhuma conduta médica preventiva padrão voltada ao público infantil. Para o autor da ação, a fala dá a entender que seria normal a submissão de meninas a toques corporais desde a infância.

O político destacou ainda que a posição de liderança do presidente exige rigor no discurso. Para ele, tratar com naturalidade situações que remetem à violência contra menores em rede nacional é inaceitável, independentemente do objetivo de conscientização sobre saúde.

Previsão legal e penalidades

A acusação aponta a possível prática de apologia a fato criminoso, conduta descrita no Artigo 287 do Código Penal brasileiro como o ato de exaltar ou defender publicamente delitos ou seus autores, ferindo a paz pública.

A legislação prevê sanções que variam de três a seis meses de reclusão ou aplicação de multa, com possibilidade de agravamento caso a manifestação ocorra por meios de comunicação de massa ou plataformas digitais de alcance amplo.

O autor da representação enfatizou que a defesa da infância e a responsabilidade institucional exigem rigor, justificando a intervenção do Ministério Público diante da repercussão de falas que normalizem termos sensíveis.