MPF decide se investiga Paulo Gonet no caso Banco Master

Conselho do MPF decide se investiga Gonet no caso Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal se reúne nesta sexta-feira, às 10h, para definir se existem indícios suficientes para abrir uma investigação sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações ligadas ao Banco Master. Na mesma sessão, o colegiado poderá discutir a nomeação de um subprocurador-geral para analisar a eventual prática de crime comum atribuída ao chefe da PGR.

Origem do procedimento e pedido de deputados

A abertura do procedimento ocorreu após a Polícia Federal encontrar menções ao procurador-geral no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A representação que motivou a análise foi protocolada em 2 de setembro por parlamentares do partido Novo, que solicitaram o afastamento do PGR dos processos referentes à instituição financeira.

Os especialistas esclarecem que esta análise inicial não representa uma denúncia criminal ou um processo administrativo disciplinar com foco em punição. O objetivo do Conselho é apurar se os dados levantados afetam a imparcialidade de Gonet nos casos do Banco Master e se há base material para iniciar uma investigação formal.

Mensagens, ligações e encontro em Londres

Conforme o relatório elaborado pela PF, o advogado Ciro Soares teria atuado como intermediário entre Gonet e Vorcaro. Mensagens indicam que, em abril de 2024, Soares enviou uma foto ao ex-banqueiro na qual o procurador-geral aparece segurando um charuto durante um evento na capital britânica. O registro fotográfico foi reenviado em março de 2025 com o aviso de que Gonet desejava falar com o empresário.

Posteriormente, os registros apontam ligações telefônicas entre os envolvidos, incluindo uma chamada de quase quatro minutos. Em conversas com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Vorcaro mencionou o chefe da PGR e pediu intervenção a seu favor.

Defesa de Paulo Gonet e próximos passos

Durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal, Gonet negou qualquer proximidade com Vorcaro e classificou o encontro britânico como casual. Em documento enviado ao Conselho, o procurador declarou ter plena aptidão jurídica para conduzir os processos do Banco Master sem impedimentos. Ele não participará da votação por ser o foco da apuração, que terá relatoria do subprocurador Francisco de Assis Sanseverino e condução do vice-presidente Nicolao Dino.

Como desdobramentos da reunião, o colegiado pode optar pelo arquivamento, por novas diligências ou pelo afastamento de Gonet apenas dos processos vinculados ao banco. Caso sejam encontrados indícios de crime comum, um subprocurador poderá ser designado para aprofundar a análise, cujos resultados podem impactar diretamente os rumos das investigações sobre a instituição financeira.