O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira, a partir das 10h, para avaliar se abre ou não uma investigação formal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A análise ocorre após menções ao PGR aparecerem em um relatório da Polícia Federal com dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Expectativa de arquivamento na sessão
Apesar da abertura de um processo administrativo no início de setembro para apurar a conduta, a expectativa interna é de que o colegiado decida pelo arquivamento do caso. Caso isso ocorra, Gonet continuará à frente das apurações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na instituição financeira. Ele atua no tema em conjunto com o vice-PGR, Hindenburgo Chateaubriand, e com uma força-tarefa criada para acompanhar os processos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Como o órgão é formalmente presidido por Gonet, ele não participará da sessão nem da votação. Os trabalhos serão conduzidos pelo vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino, com a presença de nove conselheiros que votarão em ordem reversa de antiguidade, após a leitura do relatório apresentado por Francisco Sanseverino.
Origem das menções e o evento em Londres
O caso teve início quando a Polícia Federal analisou conversas do celular de Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, em documento determinado pelo ministro André Mendonça. De acordo com a PF, as tratativas indicam que Gonet conversou com o ex-banqueiro por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares, tratando sobre um evento de uísque e charutos em Londres, em abril de 2024, que incluiu o custeio da passagem do filho do PGR.
Em sua defesa enviada ao conselho, Gonet classificou as acusações como estapafúrdias e negou qualquer relação de amizade com Vorcaro. O chefe do Ministério Público afirmou que desconhecia o ex-banqueiro na época e que a instituição financeira não figurava como patrocinadora do evento na capital inglesa, que também contou com a presença de autoridades como os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do ex-presidente Michel Temer.
Impacto interno e repercussão
Embora a divulgação de mensagens e de uma foto do encontro tenha gerado constrangimento interno na instituição, Gonet mantém apoio expressivo entre seus pares devido ao perfil conciliador adotado desde a sua posse.
A sessão do CSMPF terá acesso restrito de imprensa — limitada a um representante por veículo, sem dispositivos eletrônicos — e contará com transmissão ao vivo pelo canal oficial do órgão no YouTube.



















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