Xi Jinping evita ONU em viagem aos EUA para equiparar poder

Visita de Xi aos EUA sem passar pela ONU visa demonstrar estatura global da China

O presidente da China, Xi Jinping, optou por não incluir a Assembleia Geral das Nações Unidas em sua agenda durante sua viagem aos Estados Unidos, marcada para acontecer entre quarta e sexta-feira. A decisão de Pequim de evitar uma passagem pela sede da ONU, em Nova York, tem como principal objetivo transmitir ao cenário internacional a mensagem clara de que o país asiático atua em pé de igualdade geopolítica com Washington.

Reunião de cúpula com Donald Trump

O ponto central da viagem ocorre nesta quinta-feira, data em que Xi se encontrará com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro foi oficialmente agendado durante a visita que o líder norte-americano fez à China no mês de maio. O cronograma coincidente com o evento da ONU em Nova York havia gerado fortes especulações de que o mandatário chinês subiria à tribuna da organização internacional.

Analistas apontam que um discurso na Assembleia Geral teria sido uma excelente oportunidade para Xi projetar autoridade e defender a cooperação internacional, contrastando com a postura mais isolacionista dos EUA. Além disso, a iniciativa poderia fortalecer suas aspirações políticas internas, visando garantir um quarto mandato à frente do Partido Comunista no congresso previsto para 2027.

Bastidores e mudança de planos

Os planos originais de Pequim contemplavam uma escala em Nova York. No final de julho, autoridades chinesas e norte-americanas tentaram articular um encontro prévio entre o vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Contudo, em meados de agosto, após a tradicional reunião de cúpula em Beidaihe, a escala na metrópole norte-americana foi totalmente descartada.

A alteração na rota serviu para limitar a viagem a um período de três dias, espelhando exatamente a duração da visita oficial feita por Trump a solo chinês em maio. A prioridade absoluta do governo de Pequim foi reforçar a simetria diplomática entre as duas superpotências, eliminando qualquer aspecto que pudesse fazer a viagem parecer secundária ou prolongada.

Disputa global e controle de riscos

Com a meta de consolidar a nação asiática como um grande país socialista moderno até meados do século, o governo de Xi monitora de perto a concorrência econômica e militar com os Estados Unidos. Embora os EUA mantenham vantagem econômica diante da atual desaceleração imobiliária chinesa, Pequim investe fortemente em inteligência artificial e no fortalecimento militar para ditar o ritmo futuro.

Evitar a ONU também funcionou como uma estratégia de mitigação de riscos políticos. Uma passagem por Nova York poderia expor o líder chinês a protestos públicos, como os ocorridos em 2015 durante sua última visita presencial à sede da organização, além de evitar críticas abertas de outros chefes de Estado.

Expectativas para o encontro bilateral

Especialistas em relações internacionais avaliam que a segunda cúpula do ano entre as duas potências deve focar essencialmente na estabilização dos laços comerciais, sem grandes reviravoltas estruturais.

Especialistas apontam que a decisão de limitar a estadia ao mesmo tempo gasto por Trump na China reflete também a cautela diante da complexidade em firmar acordos de grande impacto prático neste momento.