A representação da diversidade sexual na teledramaturgia brasileira sofreu um revés perceptível recentemente. O enredo envolvendo um triângulo amoroso entre homens na novela Quem Ama Cuida chamou a atenção não pela ousadia, mas pela extrema ingenuidade com que o tema foi tratado na tela.
O retrocesso na representação LGBTQIA+
Em vez de avançar nas discussões sociais, a trama adotou uma postura conservadora, lembrando produções de décadas passadas. A abordagem superficial e infantilizada dos personagens homossexuais evidencia que o meio televisivo parece ter encaretado diante de temas considerados sensíveis por parte da audiência mais tradicional.
A ingenuidade do roteiro
A condução dos conflitos românticos e dramáticos entre os rapazes evitou qualquer carga de profundidade ou realismo. Ao optar por uma estética higienizada e desprovida de conflitos reais, a produção acabou por esvaziar a importância política e social que narrativas LGBTQIA+ deveriam ocupar no horário nobre.
Impacto na programação atual
Críticos do setor apontam que esse tipo de autocensura nos roteiros reflete o medo das emissoras em enfrentar rejeição comercial. O resultado é a entrega de produtos que ignoram a complexidade das relações humanas modernas em prol de uma suposta neutralidade moral.
Enquanto plataformas de streaming exploram histórias diversas sem filtros, a televisão aberta brasileira demonstra hesitação. A recepção fria e as críticas ao enredo de Quem Ama Cuida reforçam a urgência de uma guinada na forma como os núcleos afetivos plurais são concebidos e produzidos no país.
















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