A Polícia Federal está apurando suspeitas de desvio de verbas públicas ligadas a uma emenda parlamentar direcionada pelo senador Flávio Bolsonaro. O caso veio à tona após investigações apontarem que uma assessora do político negociou o repasse diretamente com um homem condenado por integrar a organização criminosa envolvida na morte da vereadora Marielle Franco.
Contatos telefônicos e cobranças por verbas
Conforme a apuração policial, os diálogos foram descobertos no celular de Robson Calixto, conhecido como Peixe. O aparelho foi apreendido durante diligências sobre o assassinato da vereadora. Nas mensagens, a funcionária do gabinete, identificada como Maria de Fátima Bezerra Castro, orientava o interlocutor a tratar diretamente com o senador sobre a liberação do dinheiro.
Entre outubro e novembro de 2023, o investigado cobrou insistentemente a liberação da quantia. Dados do Portal da Transparência confirmam que o pagamento foi efetuado no final de novembro daquele ano.
R$ 199 mil repassados a instituto investigado
O alvo principal da investigação é o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, que recebeu R$ 199 mil originados da emenda parlamentar. A suspeita é de que o recurso tenha sido desviado a pedido de Peixe, que atuou no passado como assessor de Domingos Brazão no tribunal de contas estadual.
Auditorias do Tribunal de Contas da União revelaram que parte da verba repassada à entidade foi utilizada para quitar honorários de um escritório de advoc propiedad dos próprios dirigentes da instituição.
Investigação sobre os irmãos Brazão
A operação policial que revelou o esquema decorre de desdobramentos sobre entidades cariocas supostamente ligadas a Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. Embora o senador autor da emenda não seja alvo direto da ação, a origem do recurso é o foco central da análise conduzida sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
Favores e ingressos para o Carnaval
Além da cobrança pelo dinheiro público, os registros mostram que a assessora solicitou cortesias para o desfile das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro. Os bilhetes teriam sido obtidos por meio de um empresário local e repassados como suposta vantagem indevida.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial, a assessoria do senador declarou que a emenda seguiu rigorosamente a legislação vigente e os parâmetros técnicos exigidos pelo Ministério do Esporte. A nota acrescenta que a prestação de contas e a execução da verba cabem exclusivamente à instituição beneficiada, ressaltando que eventuais falhas devem ser investigadas pelos órgãos competentes. Os demais citados não se manifestaram sobre as acusações.




















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